quinta-feira, 11 de dezembro de 2014

Resenha de CD > My Dying Bride - A Map of All Our Failures (2012)

Gravadora: Peaceville Recs.

Eu tentei, eu juro. Ouvi o disco várias vezes. Mas eu não sei se o problema sou eu ou se realmente os ingleses do My Dying Bride perderam o jeito de fazer Doom Metal. Ao ouvir os últimos 3 discos da banda, eu tenho a mesma sensação que tenho quando ouço os 3 últimos do Iron Maiden. Os discos são tecnicamente excelentes. Mas musicalmente, embora eles não sejam necessariamente ruins, eles nunca são realmente bons e vão perdendo a inspiração a cada lançamento. Parece que, pra ambas as bandas, acabou aquilo que os tornava revolucionários.


Enquanto no álbum A Line of Deathless Kings temos um disco razoável com algumas faixas muito boas, como Thy Raven Wings e Deeper Down, e em The Lies I Sire temos My Body a Funeral e A Chapter in Loathing em meio a um disco fraco, este novo álbum, A Map of All Our Failures, tem apenas uma faixa que realmente me chama a atenção, e que, coincidência ou não, foi justamente a escolhida como música de trabalho, Kneel Till Doomsday, a primeira do disco. A faixa inicia com um bom e sombrio riff e passa por uma progressão que culmina com uma parte de puro Death Metal, pra depois voltar ao riff inicial, lembrando muito o que a banda fez em As the Flowers Wither.

Mas a partir daí, o disco simplesmente não cresce. Temos um punhado de faixas que parecem inacabadas. Elas não cativam, não têm um climax e, ao tentarem ser pesadas, atmosféricas e melódicas ao mesmo tempo, elas acabam não sendo nenhuma destas coisas. Os riffs são genéricos, assim como as linhas melódicas, nem de longe lembrando os riffs esmagadores de uma The Sexuality of Bereavement, por exemplo. O violino simplesmente não tem o brilhantismo do violino de Martin Powell. Tudo bem, Martin era um gênio e criava linhas absolutamente tenebrosas ou melancólicas conforme sua vontade, e não é pra qualquer um a genialidade daquele cara. E os vocais...

Bem, os vocais. Talvez o meu maior problema com o My Dying Bride atual sejam eles. Aaron definitivamente é um cantor melhor do que quando gravou Turn Loose the Swans. Mas por algum motivo, suas linhas, melodias e dramaticidade não me tocam, não me agradam. Os vocais soturnos do Turn Loose não existem mais, agora ouvimos apenas vocais que buscam uma dramaticidade exagerada, quase uma caricatura do que foram em The Angel and the Dark River. Talvez Aaron opte por esse estilo porque seus guturais não sejam mais como foram há 15 ou 20 anos. Mas ainda assim, quando ele arrisca vocais agressivos, como na já citada primeira faixa ou em A Tapestry Scorned, o que eu sinto é que aí é que a coisa funciona. Mas ao invés de investir mais nos guturais, Aaron tem preferido os vocais melódicos, ou então... os falados.

Eu realmente acho que o Aaron deveria lançar um CD solo apenas com declamações de poemas, e jamais, JAMAIS, e eu disse JAMAIS, voltar a fazê-los num disco do My Dying Bride. Mas em A Map of All Our Failures, você está “alegremente” ouvindo o disco e, já na terceira faixa, lá estão eles, os vocais falados, justamente após a parte mais pesada da faixa. E no fim dela. Tá, nós poderíamos deixar passar, mas lá pela quinta faixa, logo no início, lá estão eles de novo. E eles perduram por boa parte dela, e não contente em apenas declamar, Aaron sussurra. E na faixa seguinte, ele sussurra de novo e, no final da faixa, mais declamações. E na sétima faixa também. Esses vocais são o anticlímax do disco. Eles conseguem anular qualquer emoção que se poderia sentir com as faixas.

O problema com este álbum é que você o coloca pra rodar e assim como no disco anterior, com a primeira faixa, pensa algo como “este vai ser um baita disco”, mas se você se distrair por alguns instantes após ela, o disco inteiro vai passar e você só vai se dar conta disso lá pelo final dele, pois é monótono, carente de peso e repleto de mesmice.

Para a banda que gravou os discos que gravou até 2004, o que eles vêm apresentando hoje é muito pouco, pois mesmo o disco mais controverso deles, o 34,788% Complete, é mais pesado, mais memorável e muito superior a este último, mesmo incluindo uma faixa que, na minha opinião, é de longe a pior música da banda (Heroin Chic). E escrevo estas linhas na posição de um fã que praticamente se iniciou no Doom Metal com a famosa trindade da Peaceville. Não sou o tipo de fã que acha que a banda nunca deve mudar. Mas a questão aqui não é a mudança, até porque, de certa forma, o MDB nunca mudou radicalmente. O problema aqui é a falta de inspiração. O fato é que dos últimos 4 lançamentos da banda, se ignorarmos o disco Evinta (que, a meu ver, deveria desde o inicio ter sido divulgado como algo à parte, diferente do resto da carreira da banda, ou não ter sido lançado), incluindo o EP The Barghest O' Whitby, podemos pegar uma meia dúzia de faixas e montar um disco realmente bom (bem, vamos ignorar o fato de que o EP tem meia hora de duração e já preencheria metade do disco). Mas isoladamente, na minha opinião, assim como os últimos discos do Iron Maiden, nenhum deles vale a compra.

Recentemente, Hamish Glencross deixou o My Dying Bride sendo substituído justamente por quem ele mesmo havia substituído anteriormente, Calvin Robertshaw, que, ao lado de Andrew Craighan, gravou os discos clássicos da banda. O que isso vai significar para a carreira da banda, só o tempo dirá.

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